A psicoterapia que desenvolvo parte da compreensão de que o sofrimento não se reduz a sintomas isolados nem pode ser tratado como algo separado da forma como cada pessoa constrói sua vida. Muitas vezes, o que dói não é apenas o que acontece, mas a maneira como se permanece em determinadas situações, relações ou escolhas que já não fazem sentido.
O espaço clínico é um lugar de escuta, reflexão e elaboração. Um espaço para compreender como se está vivendo, quais sentidos vêm sendo atribuídos às experiências e de que forma certas repetições se sustentam ao longo do tempo. Esse processo não busca ajustar a pessoa a expectativas externas, mas favorecer mais clareza sobre o próprio modo de existir e se relacionar com o mundo.
A psicoterapia não elimina conflitos nem dificuldades. Ela pode, no entanto, ampliar a consciência sobre eles e possibilitar escolhas mais responsáveis e coerentes com aquilo que se deseja sustentar como caminho de vida. Isso exige envolvimento, abertura e disposição para olhar para si com honestidade.
O trabalho terapêutico acontece no encontro, no diálogo e no tempo necessário para que algo possa ser compreendido e transformado. Não se trata de pressa, mas de processo.